Análise de dados de vigilância entomológica no Espírito Santo: relações com dados meteorológicos e casos de dengue

Bernardo Roberto Andrade Silva

A doença da dengue continua gerando impactos sociais e econômicos altamente negativos no Brasil e no mundo. Controlar o seu principal vetor, o mosquito Aedes aegypti, e entender sua dinâmica populacional são partes fundamentais do combate à doença. Utilizamos modelos de regressão para avaliar como variáveis meteorológicas influenciam a abundância dos mosquitos (estimada através de vigilância entomológica), e utilizamos análise de correlação para avaliar o relacionamento dessa abundância com a incidência de dengue, em diferentes municípios do estado do Espírito Santo. Por fim, desenvolvemos diferentes modelos epidemiológicos com os dados de dengue, de um mais simples a um mais complexo, incluindo a abundância do vetor em sua formulação, para comparar a qualidade de ajuste aos dados dos diferentes modelos. Resultados da regressão revelam maior influência da temperatura na abundância do vetor, e uma inconsistência dos modelos durante anos distintos de observação. A análise de correlação apontou um relacionamento fraco ou contraintuitivo; seguindo essa linha de raciocínio, os modelos epidemiológicos não mostraram vantagem ao incluir a infestação do vetor em sua formulação, mas alcançaram bons resultados ao incluir temperatura. O estudo destaca a importância da vigilância entomológica contínua para o entendimento da dinâmica populacional do mosquito, ao passo que o seu relacionamento com a incidência de dengue segue complexo, sugerindo que é um dado sozinho insuficiente para a avaliação de risco de dengue ou a criação de modelos de predição.


2025/02 - POC2

Orientador: Michele Amaral Brandão

Palavras-chave: dengue, monitoramento entomológico, análise de dados, machine learning, regressão, correlação, modelos epidemiológicos

Link para vídeo

PDF Disponível